De começo nada temo, pois o quebra cabeça de mim mesmo vai a
cada momento se encaixando. Há alguém que vem e o pouco que vem traz camadas de
mim. Cada aparição me completa. Aparece,
então, uma duvida. Duvida tal que é a primeira, primeira de muitas: Quem quebra
a cabeça? Quem me recompõe? OH! Então você menina. Quem vem trazer minhas peças,
brincando de montar. Curioso ver essas mãos finas, tão astutas, a encaixar tão
certo, a trazer-me vida. Mas vem a mim outra questão: O que fará logo após
terminar? Terá tanto gosto de montar e desmontar, menina? Ou cansará e me
abandonará? Pois agora percebo que temo. Temo ficar sem suas mãos, hábeis mãos,
pois sem elas nada sou. De certo minhas peças não poderão vir sozinhas e será
difícil encontrar quem possa ser tão perfeita 'quebradora' de cabeça quanto você.
Então imploro que fique, mesmo que faça de mim um brinquedo qualquer e que me
dê para morar uma caixa de papelão, largado em companhia de seus outros
brinquedos esquecidos. Apenas não me deixe.
é o meu preferido!
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